Instrumento permite transformar terrenos com potencial construtivo em projetos, alinhando os interesses das partes envolvidas
A busca por novos terrenos em regiões com potencial de desenvolvimento tem levado o mercado imobiliário a utilizar cada vez mais modelos alternativos de estruturação de negócios. Entre eles, a permuta se mantém como uma das principais ferramentas para viabilizar empreendimentos, ao permitir que proprietários de áreas e empresas desenvolvedoras compartilhem resultados e criem projetos em localizações estratégicas.
O modelo é utilizado há décadas pelo setor, mas ganhou relevância nos últimos anos diante de um cenário de profissionalização do mercado, valorização dos terrenos e necessidade de estruturas financeiras mais eficientes para novos empreendimentos. Em regiões de forte atividade imobiliária, como o litoral de Santa Catarina, onde a disponibilidade de áreas bem localizadas é cada vez mais limitada, a permuta se tornou uma alternativa estratégica para aproximar proprietários e desenvolvedores.
O instrumento permite transformar terrenos com potencial construtivo em projetos imobiliários, alinhando os interesses das partes envolvidas. Na prática, a permuta funciona como uma negociação em que o proprietário do terreno participa do empreendimento em vez de receber exclusivamente o pagamento pela área.

O retorno pode ocorrer de diferentes formas, a depender da estrutura definida entre as partes. Na chamada permuta física, o proprietário recebe unidades futuras do empreendimento como contrapartida pelo terreno. Já na permuta financeira, a participação ocorre por meio de um percentual dos resultados econômicos do projeto, segundo critérios estabelecidos em contrato.
De acordo com o CEO da Terra Prime, Fernando Kennedy, a permuta pode ter papel relevante na estruturação de empreendimentos porque permite combinar diferentes interesses em uma mesma operação. “Na permuta, o dono do terreno deixa de ser só um vendedor e passa a ser sócio do resultado do projeto. Isso alinha os interesses desde o primeiro dia. Mas esse alinhamento só funciona com avaliação correta da área e contrato bem estruturado — permuta não é troca de terreno por unidade, é estruturação de um negócio em conjunto”, afirma.

Segundo o executivo, a escolha de uma boa permuta depende da análise aprofundada do potencial do terreno e das condições do mercado. Aspectos como localização, legislação urbanística, capacidade construtiva, custos envolvidos, perfil do empreendimento e expectativa de comercialização precisam ser considerados antes da definição dos termos do acordo. “O erro mais comum é achar que a permuta se resolve na assinatura. Ela se resolve no percurso. Um contrato bem estruturado é o que mantém a operação equilibrada quando o custo, o prazo e o mercado mudam ao longo da obra, e eles sempre mudam”, explica Kennedy.
Para Kennedy, o próximo ciclo de oportunidades está fora do eixo já consolidado do litoral norte catarinense. ” O litoral norte de Santa Catarina já precificou boa parte do seu potencial. O que buscamos são regiões com fundamentos sólidos, infraestrutura instalada, vetor de crescimento e um preço de entrada ainda descolado do potencial, que permite margens maiores. essas regiões, a permuta também é mais atrativa para o dono da terra, porque ele participa de um projeto com potencial de valorização ainda à frente”, afirma o CEO.
Para empresas especializadas em desenvolvimento imobiliário, como a Terra Prime, sediada em Balneário Camboriú, a permuta representa uma ferramenta que amplia as possibilidades de novos projetos, especialmente em mercados onde terrenos estratégicos têm valores elevados ou apresentam grande potencial de valorização. Em seu primeiro ano de operação, a Terra Prime acumulou mais de R$ 18 milhões em aquisição de terrenos estratégicos e passou a ter participação em projetos que superam R$ 1,9 bilhão em Valor Geral de Vendas (VGV).