Fim da escala 6×1 pode elevar custos, alterar rotinas de trabalho e até gerar novos empregos: tema mobiliza debate na CDL Florianópolis

A proposta que prevê o fim da escala 6×1 e a redução da jornada semanal de trabalho segue no centro das discussões econômicas do país e foi tema de debate durante reunião do Conselho Deliberativo da CDL Florianópolis, na noite desta terça-feira (9). Promovido em parceria com o Sindilojas Florianópolis e Região, o encontro reuniu empresários e lideranças do setor para discutir os possíveis impactos da medida sobre o comércio, os serviços, os trabalhadores e os consumidores.

 

A discussão acontece em um momento decisivo para a proposta, que recentemente avançou no Congresso Nacional e segue em pauta no Senado. Embora o tema tenha ganhado força a partir de reivindicações ligadas à qualidade de vida e ao equilíbrio entre trabalho e descanso, especialistas alertam que seus efeitos econômicos ainda dividem opiniões.

 

Durante a apresentação, os advogados André Luiz de Oliveira e Bruno Orlandi, representantes do Sindilojas Florianópolis e Região, destacaram que estudos elaborados por entidades empresariais e centros de pesquisa chegam a conclusões bastante diferentes sobre os impactos da mudança.

 

De um lado, levantamentos da Confederação Nacional da Indústria (CNI) estimam uma redução de 0,7% no Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro caso a jornada semanal seja reduzida de 44 para 40 horas. Para a indústria, a queda poderia chegar a 1,2%. Já a Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) projeta aumento de aproximadamente 21% nos custos relacionados à folha de pagamento, com potencial repasse de preços ao consumidor.

 

Por outro lado, estudos desenvolvidos por instituições como o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e a Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) apontam cenários mais moderados. Segundo essas análises, a redução da jornada poderia estimular novas contratações, ampliar o consumo e gerar ganhos indiretos para a economia, sem necessariamente provocar impactos significativos sobre inflação ou emprego.

 

Um dos pontos centrais do debate na Capital foi justamente a divergência entre as projeções. Segundo os especialistas convidados, as diferenças decorrem das premissas adotadas em cada estudo, especialmente em relação à capacidade de adaptação das empresas e aos possíveis ganhos de produtividade.

 

O encontro também abordou os reflexos para os pequenos negócios, considerados os mais sensíveis às mudanças. Empresas de menor porte tendem a possuir menos margem para absorver custos adicionais ou ampliar equipes, o que torna fundamental a discussão de mecanismos de transição caso a proposta avance.

 

Além dos aspectos econômicos, foram apresentados argumentos relacionados aos possíveis benefícios sociais da medida, incluindo redução do desgaste físico e mental dos trabalhadores, ampliação do tempo destinado à família, lazer e qualificação profissional, além de potenciais reflexos positivos na produtividade.

 

Para o presidente da CDL Florianópolis, Eduardo Koerich, a complexidade do tema exige diálogo permanente entre os diversos setores da sociedade. “A discussão sobre a escala 6×1 envolve trabalhadores, empresas, consumidores e toda a economia. Existem estudos apontando riscos e outros indicando oportunidades. O papel da CDL é justamente promover espaços de debate qualificado para que o setor produtivo compreenda os possíveis impactos e participe da construção das soluções”, afirma.

 

A realização do encontro reforça a atuação conjunta entre CDL Florianópolis e Sindilojas na análise de temas estratégicos para o ambiente de negócios da Capital e de Santa Catarina. Ao final da apresentação, os participantes puderam esclarecer dúvidas e aprofundar a discussão sobre os desafios e oportunidades associados às mudanças propostas para a jornada de trabalho no Brasil.