Nome influente no setor, empresário abriu o jogo sobre perspectivas de mercado no estado e próximos empreendimentos assinados
O arquiteto e empresário Leo Maia, referência em arquitetura autoral no Brasil, esteve em Santa Catarina na última semana para a entrega do decorado 2101 do edifício Mayfair, em Itapema, com projeto também assinado pelo paraibano. Nome por trás de grandes empreendimentos residenciais e corporativos inspirados em hotéis cinco estrelas, Maia tem quase 20 anos de atuação no ramo e é reconhecido como um dos arquitetos mais influentes de sua geração.
O ‘open house’ do apartamento decorado reuniu corretores e arquitetos em um dia dedicado a apresentar detalhes do projeto de alto padrão, que conta com mobiliário assinado pelo catarinense Jader Almeida. “O 2101 é uma extensão do Mayfair como ideal arquitetônico, e valoriza a dualidade entre o moderno e o aconchego do litoral. Tudo aqui foi pensado para trazer uma brisa leve com a vista incrível do mar e, ao mesmo tempo, valorizar a alta qualidade de mobiliário e de funcionalidades que atraem o mercado de luxo”, destaca Leo Maia.
O decorado é um dos 20 apartamentos do Mayfair, edifício com 26 pavimentos a ser entregue ainda este ano em Itapema pela construtora ABC Empreendimentos. Considerado a “alfaiataria catarinense” na área de arquitetura, o projeto valoriza conceitos contemporâneos do bairro homônimo em Londres. Com linhas minimalistas e contínuas, a fachada do prédio possui uma estrutura biofílica, dando vida ao empreendimento. Já as áreas comuns foram pensadas para revigorar o morador, com ambientes terapêuticos e contemplativos. Tudo isso de frente para a praia e com a assinatura única e imponente de Maia.
Nascido em João Pessoa/PB, Leo já participou de inúmeras mostras como Casa Cor, Mostra Artefacto Haddock Lobo e Beach Country em São Paulo, circulando em todos os continentes em eventos do circuito do design global como Milão, Miami, Nova Iorque, Londres e Estocolmo. É responsável por alguns dos principais projetos do setor, atuando em cidades como São Paulo, Brasília, Balneário Camboriú, Curitiba, entre outras, com grande projeção para o mercado internacional. Em solo catarinense, também assina outros empreendimentos da ABC, como o ITs e o Vítreo, também em Itapema, e o Lagom, em Porto Belo.
“Nossa parceria com o Leo sempre foi de absoluto sucesso, e agora estamos entregando o primeiro prédio boutique de Itapema, com a marca registrada dele. É um projeto autoral que marca o início de uma era de empreendimentos de vanguarda na cidade. A ABC se orgulha de ser pioneira nessa transformação, trazendo arquitetura contemporânea, identidade marcante e um novo padrão de sofisticação para Itapema e toda a região. São prédios assim que viram ícones”, destaca Thiago Cabral, CEO da ABC Empreendimentos.

Durante entrevista, Leo Maia falou sobre a ascensão do mercado imobiliário na região, inspirações em projetos e qual tipo de assinatura quer deixar para o futuro.
Leo, apesar de não ser catarinense, você tem várias parcerias no estado. É, ao mesmo tempo, um arquiteto reconhecido nacional e internacionalmente, também já viajou pelo mundo, conheceu e adquiriu inúmeras referências. Com toda essa bagagem, na sua opinião, quais são os diferenciais da região do litoral norte catarinense? Você realmente reconhece esse potencial?
LEO MAIA: Santa Catarina está fora da curva em comparação com qualquer outro estado brasileiro quando o assunto é a vanguarda e o aperfeiçoamento do setor imobiliário, e digo isso com tranquilidade. Se a gente tira São Paulo, que é praticamente um país independente com outro contexto socioeconômico, o mercado catarinense é muito acima da média. É um lugar que eu amo trabalhar. A gente tem através dos nossos parceiros, como é o próprio caso da ABC, uma liberdade autoral muito interessante para exercitar nossos projetos e trazer esse olhar, essa vivência de bagagens diversas para dentro do que vamos oferecer em termos de solução imobiliária.
Inclusive, eu acredito que a ABC está muito nesse lugar de vanguarda: está enxergando além, trazendo esse novo momento, esse novo pensar em termos de morar para o mercado da região. E o fato dela ter saído na frente, garante um legado e um trabalho incrível, não só atualmente mas para os próximos anos. Eu diria que Santa Catarina realmente é fora da curva.
Agora sobre o decorado 2101 do Mayfair. Todo o apartamento é assinado por você, e o mobiliário vem do Jader Almeida, grande designer catarinense. Quais foram suas inspirações principais nesse processo? E o que justifica a escolha do Jader nessa parceria?
LEO MAIA: Tudo começa através do olhar que a gente teve para a arquitetura do prédio, com esses revestimentos até então inéditos quando o assunto são os prédios da região. Temos uma fachada ventilada, com um revestimento em cotelê, que trouxe esse ar de modernidade e contemporaneidade para o edifício. E aí nosso desejo foi trazer um pouco dessa linguagem moderna também para dentro do apartamento decorado. Ao mesmo tempo, em união a esse lado moderno, quisemos trazer uma atmosfera mais aconchegante, uma atmosfera de desacelerar… Afinal de contas, a gente está praticamente à beira-mar. Para valorizar isso, trouxemos tons claros, uma pegada mais fresh para o apartamento, com toques de mármore e de pedra natural, com tons táteis.
Para trazer a ‘cereja do bolo’, precisávamos de um mobiliário de altíssima performance, e aí a resposta foi certeira: Jader Almeida, que também é catarinense. É uma super analogia, já que esse é um apartamento que se torna uma extensão da nossa proposta de arquitetura e localização, à beira do mar de Itapema, jóia de Santa Catarina.
Você assina esse decorado e também assina o projeto do Mayfair como um todo. A gente sabe que existe um bairro homônimo em Londres, e que vem daí a inspiração para esse edifício. Mas como foi desenvolver esse conceito?
LEO MAIA: Quando chegou na nossa prancheta o projeto do ABC, do Mayfair, ele já chegou com esse nome pronto. Então a gente tinha aí uma missão de trabalhar um projeto que realmente tivesse essa linguagem cosmopolita do bairro londrino, mas com uma certa tropicalidade também. Exploramos bastante essa relação de transparência, de materiais que trouxessem modernidade e, ao mesmo tempo, brasilidade. Temos um tom justamente mais amadeirado, mais chocolate na fachada, unindo tudo isso. Acho que esse é o resumo, a inspiração veio muito disso, desse diálogo com o que é cosmopolita, com o que é urbano, com o que realmente poderia estar inserido em qualquer grande cidade do mundo, como a própria Londres, mas com esse perfume brasileiro, com esse aconchego, com essa bossa de ar fresco e litorâneo.
Você utiliza, não só aqui no Mayfair, mas também na própria fachada do ITS e em outras assinaturas suas, o conceito da Biofilia. Você acredita que isso vem ao encontro com os novos perfis de moradia que se popularizaram, principalmente, depois da pandemia? Dando tom ao “wellness real estate”?
LEO MAIA: De fato! Acreditamos que o verde é uma característica inerente dos nossos projetos. A gente sempre procura trazer um pouco disso, da biofilia, porque a gente sabe que essa coisa do resgate e da conexão com a natureza foi muito buscada na pandemia por tantas pessoas. Então quando optamos por trazer isso para os nossos projetos de arquitetura – além de fomentar a pegada do bem-estar, essa coisa de natureza verde – a gente também está garantindo um pouco mais de qualidade de vida para os moradores e para as cidades onde a gente está projetando.

Buscamos sempre fazer “acupunturas urbanas”, um empreendimento que vai se posicionar na cidade de uma forma mais amigável, trazer um pouco do verde de volta para dentro desse cenário. Então a biofilia está super presente aqui. No Mayfair a gente já tem essas floreiras frontais, onde a gente vai vir com esse verde, dialogando com esses revestimentos tão de ponta que a gente trouxe. E também trouxemos isso para o Vítreo, em Itapema, também para o ITs, dentre outros projetos da ABC que a gente também está planejando. É sempre uma marca registrada, inerente aos nossos projetos.
Para finalizar, aproveitando o gancho, como funciona o processo de entender as características independentes de cada empreendimento? Afinal, você tem várias parcerias com a ABC, com a assinatura da fachada do ITs, do próprio Lagom, do Vítreo, enfim… Como diferenciar e potencializar as particularidades de cada um?
LEO MAIA: Eu acho que a gente primeiro tem que entender o tipo de público que está procurando esse tipo de empreendimento. Quando a gente está falando do Lagom, a gente tem ali um projeto muito inserido no meio da natureza, com inúmeros recursos naturais no contexto do prédio, como a própria Lagoa do Perequê. O prédio está inserido em uma reserva natural, praticamente, com grande parte do terreno com áreas de passeio sob palafitas, que vão ser uma experiência como se você realmente estivesse totalmente fora de qualquer contexto urbano. Então, acho que a gente tenta entender, mais ou menos, o contexto que a gente quer oferecer de solução de moradia em cada produto, pensando nesse estilo único.
Outro exemplo: o cliente que está no Vítreo é um cliente de altíssimo padrão, que procura aquela solução de residência suspensa, num contexto de um apartamento super amplo. Mas ele também quer estar dentro da cidade, já que vai estar perto de tudo, acho que é um pouco do caso aqui do Mayfair. São vários fatores que a gente analisa, condicionantes também que a gente busca na hora de projetar e de dar o tom a cada projeto, sempre com excelência e com a nossa marca registrada.