Das periferias ao Vaticano: padre Vilson Groh relaciona nova encíclica do Papa aos desafios da inteligência artificial e da dignidade humana

A experiência de mais de quatro décadas atuando junto às comunidades em situação de vulnerabilidade da Grande Florianópolis levou o padre Vilson Groh a contribuir com um dos debates mais relevantes da atualidade dentro da Igreja Católica: os impactos da inteligência artificial e da transformação digital sobre a dignidade humana. Em artigo publicado pelo Vatican News, canal oficial de comunicação da Santa Sé, o presidente do Instituto Vilson Groh, que em 2026 chega aos 15 anos de atuação em rede,  apresenta uma leitura da encíclica Magnifica Humanitas, primeiro documento magisterial do Papa Leão XIV, lançado neste ano e dedicado à proteção da pessoa humana diante das transformações provocadas pela inteligência artificial.

 

Sob o título A magnífica humanidade que habita as fendas, Padre  Vilson propõe uma reflexão que parte das periferias urbanas para interpretar os desafios contemporâneos trazidos pelo avanço tecnológico. Ao longo do texto, ele argumenta que a questão central não está na tecnologia em si, mas na forma como ela pode ampliar desigualdades já existentes quando dissociada de princípios éticos, sociais e humanitários.

 

A publicação ganha relevância por inserir a realidade brasileira em uma discussão global que mobiliza governos, universidades, empresas e instituições religiosas. Na encíclica, o Papa Leão XIV alerta para os riscos de um modelo de desenvolvimento guiado exclusivamente pela eficiência tecnológica e pelo paradigma tecnocrático, defendendo que a inovação permaneça subordinada à promoção da dignidade humana, do bem comum e da justiça social. Em sua análise, Padre  Vilson aproxima o conteúdo do documento pontifício da realidade encontrada diariamente nos territórios populares. Segundo ele, a inteligência artificial pode reproduzir e acelerar mecanismos históricos de exclusão quando utilizada sem critérios éticos claros, tornando ainda mais invisíveis pessoas que já enfrentam barreiras de acesso à educação, ao trabalho e às oportunidades de desenvolvimento.

 

“A leitura da Magnifica Humanitas dialoga profundamente com aquilo que vivenciamos todos os dias nas periferias. A tecnologia pode ampliar oportunidades extraordinárias, mas também pode aprofundar desigualdades quando não existe acesso, formação e inclusão. O Papa nos convida a colocar a pessoa humana no centro das decisões. É exatamente isso que buscamos fazer por meio da educação, da proteção social e da criação de oportunidades para crianças, jovens e famílias que vivem em contextos de vulnerabilidade. A inovação precisa caminhar junto com a justiça social, caso contrário ela corre o risco de beneficiar apenas quem já tem acesso aos meios de desenvolvimento”, afirma Padre  Vilson.

 

A reflexão encontra forte convergência com a trajetória construída por Vilson Groh ao longo das últimas décadas em Santa Catarina. À frente de uma Rede de organizações sociais e educacionais, seu trabalho tem sido pautado pela defesa da educação como instrumento de transformação social, pela inclusão de jovens em situação de vulnerabilidade e pela construção de oportunidades capazes de romper ciclos históricos de exclusão. Outro aspecto central da reflexão está na defesa da educação como elemento fundamental para garantir que os avanços tecnológicos estejam efetivamente a serviço das pessoas. No artigo, Padre  Vilson destaca que escolas, universidades e organizações sociais possuem um papel ainda mais relevante em um mundo cada vez mais digitalizado, justamente por promoverem aquilo que nenhuma tecnologia consegue substituir integralmente: convivência, vínculos humanos, pensamento crítico, escuta, acolhimento e formação integral.

 

Ao analisar a encíclica, o presidente do IVG também ressalta que o documento resgata princípios históricos da Doutrina Social da Igreja para orientar o discernimento sobre o uso das novas tecnologias. Conceitos como solidariedade, justiça social, participação, fraternidade e dignidade da pessoa humana aparecem como critérios essenciais para avaliar se os avanços tecnológicos estão contribuindo para a construção de uma sociedade mais justa e inclusiva. Para Padre  Vilson, a mensagem da Magnifica Humanitas ganha significado especial quando observada a partir das periferias, onde os impactos das desigualdades sociais se manifestam de forma mais intensa. Ao relacionar a nova encíclica com a realidade brasileira, ele reforça que a construção de um futuro mais humano exige que inovação, desenvolvimento econômico e transformação tecnológica caminhem lado a lado com inclusão, responsabilidade social e ampliação de oportunidades.

 

Mais do que um debate sobre tecnologia, a reflexão publicada pelo Vatican News propõe uma discussão sobre o próprio futuro da humanidade. Em um contexto marcado por mudanças aceleradas, o artigo convida a sociedade a refletir não apenas sobre o que a inteligência artificial será capaz de fazer, mas sobre quais valores deverão orientar esse novo tempo e que tipo de desenvolvimento se deseja construir para as próximas gerações.

 

Para conferir o documento completo acesse: https://www.vaticannews.va/pt/igreja/news/2026-06/magnifica-humanidade-habita-fendas-papa-leao.html

 

Fotos padre Vilson Groh: https://drive.google.com/drive/folders/1IkH70a7D02Ebt7EVQsbthcxRzIXWI_Po?usp=sharing