CDL Florianópolis e entidades criticam proposta de instalação de unidade de atendimento à população em situação de rua no Centro de Florianópolis

Entidades representativas dos setores produtivos, do comércio e da comunidade do Centro de Florianópolis divulgaram nesta quarta-feira (08) uma nota conjunta em que manifestam preocupação com a proposta de instalação de uma unidade de atendimento à população em situação de rua (PSR), a ser operada pela Cáritas Brasileira, na Rua João Pinto, no Centro Histórico da Capital. 

No documento, as instituições defendem que a assistência social seja planejada de forma descentralizada e pedem ao Poder Público Municipal que reavalie a localização da iniciativa, considerando os projetos de revitalização urbana, a atividade econômica e as características da região.

 

NOTA OFICIAL 

“As entidades signatárias, representativas dos setores produtivos e dos cidadãos florianopolitanos, vêm a público expressar fundada preocupação quanto à pretendida instalação de uma unidade de atendimento a pessoas em situação de rua (PSR) pela Cáritas Brasileira na Rua João Pinto, cujo processo seletivo de contratação de pessoal encontra-se em andamento.

 

Embora reconheçam a relevância da missão humanitária da Cáritas, as subscritoras consideram que a escolha desse local para a implantação de tal iniciativa apresenta um grave conflito de vocação territorial, merecendo cautelas. 

 

Para tanto, deve-se ter em mente que o setor leste do Centro Histórico de Florianópolis vem atravessando, ao longo dos últimos anos, um processo consistente de requalificação urbana e de incentivo à economia criativa. A inserção de um equipamento de alta densidade assistencial em uma região negligenciada há décadas (se comparada com as demais regiões da Capital) compromete seriamente esses esforços de revitalização, gerando externalidades negativas que desestimulam o fluxo de cidadãos e o aporte de novos investimentos privados e/ou públicos.

 

Ademais, a região em questão vem se consolidando como um instigante polo gastronômico e de vida noturna da cidade, de modo que a instalação de um centro de acolhimento em um perímetro urbano com alta concentração de estabelecimentos que comercializam bebidas alcoólicas é tecnicamente temerária, expondo a população vulnerável a riscos desnecessários, dificultando o controle social e exacerbando sobremaneira conflitos de convivência no espaço público.

 

Não menos importante é o risco de que o adensamento de PSRs em áreas de forte apelo turístico e comercial venha a impactar negativamente a percepção de segurança e a experiência de moradores e/ou turistas, podendo ensejar um processo de degradação econômica e social que anula os recentes avanços em infraestrutura e paisagismo realizados na localidade.

 

As entidades signatárias reiteram que a assistência social deve ser pautada pela descentralização e planejamento estratégico, evitando a sobrecarga de áreas sensíveis, motivo pelo qual recomendam que o Poder Público Municipal, no exercício de suas competências regulatórias e de zoneamento, atue no sentido de impedir que a iniciativa da Cáritas Brasileira prospere na Rua João Pinto. Propugnamos por um diálogo construtivo para a identificação de locais que permitam o atendimento digno do assistido sem, no entanto, comprometer diretrizes urbanísticas que visam a preservação do interesse público e da ordem social, bem como a viabilidade econômica, o rico patrimônio cultural e o futuro do Centro Histórico, berço da Capital de todos nós.”

 

Assinam este movimento:

 

– CDL Florianópolis

– Bencel – Núcleo de Bares e Entretenimento do Centro Leste de Florianópolis

– Centro Leste Vivo – Associação de Moradores e Comércio Diurno

– Conselho Comunitário de Segurança – Centro

– Sindilojas de Florianópolis e região